A Academia Piauiense de Letras (APL) comunicou, com profundo pesar, a morte do poeta, editor, jornalista e empresário cultural Álvaro dos Santos Pacheco, aos 92 anos. O acadêmico, terceiro ocupante da Cadeira nº 30 da instituição, faleceu no Rio de Janeiro, onde vivia desde 1959, após complicações de saúde relacionadas ao Mal de Alzheimer. Sua partida encerra uma trajetória que influenciou profundamente a literatura, a imprensa e a memória cultural do Brasil.
Nascido em Jaicós, em 1933, Álvaro Pacheco formou-se em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro, mas foi na escrita que construiu sua identidade intelectual. No Piauí, atuou na Folha da Manhã e, já no Rio, integrou a equipe responsável pela histórica reformulação do Jornal do Brasil entre 1956 e 1962. Também colaborou com O Cruzeiro, Manchete e O Jornal, além de participar da coordenação do Pavilhão Internacional do Campo de São Cristóvão, lançado em 1958 durante a primeira Exposição Internacional do Rio.
Visionário no campo editorial, Pacheco transformou a Editora Artenova em referência nacional, instalando em Benfica (RJ) um dos parques gráficos mais modernos da época. Foi pioneiro na introdução da composição eletrônica na indústria gráfica brasileira em 1969. Expandiu sua atuação cultural ao fundar as produtoras Artenova Filmes e Ariel Cinematográfica, contribuindo para a difusão do cinema nacional e estrangeiro.
A produção literária de Álvaro Pacheco inclui 12 livros de poesia, entre eles Os Instantes e os Gestos, Margem do Rio Mundo, A Força Humana, O Homem de Pedra, Tempo Integral, Itinerários e A Balada do Nadador no Infinito — obra vencedora do Prêmio Nacional de Literatura do Pen Clube do Brasil em 1985. Seu livro Geometria dos Ventos, publicado em 1992, teve poemas traduzidos para inglês e italiano. Suas reflexões poéticas, pautadas em temas universais como amor, memória e finitude, receberam elogios de grandes nomes da literatura brasileira, incluindo Carlos Drummond de Andrade.
Além do reconhecimento literário, Pacheco foi membro efetivo do P.E.N. Clube do Brasil e integrou o Conselho Federal de Cultura. Na vida pública, exerceu mandato como suplente de senador pelo Piauí entre 1987 e 1995, participando das discussões que culminaram na promulgação da Constituição de 1988, da qual se tornou signatário.
Sua atuação também alcançou projeção internacional. Participou por mais de dez anos da Feira do Livro de Frankfurt, esteve por 15 anos consecutivos no Festival de Cannes, marcou presença no American Film Market em Los Angeles e acompanhou atividades das Nações Unidas.
Com sua morte, o Piauí perde um dos nomes mais significativos de sua vida cultural. A Academia Piauiense de Letras manifestou solidariedade aos familiares, amigos e leitores, destacando que o legado de Álvaro Pacheco permanece vivo em sua obra, reconhecida pela profundidade e pela capacidade de atravessar gerações.