A trajetória do ex-atacante Leonardo, revelado em Picos e consagrado como ídolo do Sport Club do Recife, ganhou novos detalhes com a revelação dos bastidores de sua contratação, conforme reportagem de Daniel Leal e Diogo Marques do Globo Esporte Pernambuco.
O jogador iniciou sua história no futebol ainda criança, influenciado pela própria família. Segundo relatos, Leonardo cresceu em um ambiente onde o esporte fazia parte do cotidiano. “Quando ele tinha uns 8 anos, já ia atrás de bola na beira do rio”, relembrou sua irmã, Fabíola Pereira.

Ainda jovem, destacou-se pela Sociedade Esportiva de Picos (SEP), sendo peça fundamental nas conquistas do início dos anos 1990. Em 1991, participou diretamente do título estadual, ao dar assistência para o gol decisivo marcado pelo primo Natinho, no estádio Albertão, em Teresina.

O desempenho chamou atenção fora do estado. Em 1992, durante a disputa da Série B, Leonardo brilhou contra o Santa Cruz Futebol Clube, tanto no Recife quanto em Picos, o que despertou o interesse imediato de dirigentes do clube pernambucano.

O então presidente do Santa Cruz, Raimundo Moura, chegou a ir pessoalmente a Picos para tentar a contratação. Segundo o ex-prefeito José Neri, houve negociação, mas sem acordo formal. “Ele queria Leonardo, mas eu disse para esperar o fim da competição”, relatou.
Em meio às tratativas, surgiu uma proposta que se tornaria histórica: a oferta de jogadores em troca do jovem atacante, incluindo o então desconhecido Rivaldo, que anos depois se tornaria um dos maiores nomes do futebol mundial. A proposta, no entanto, não foi aceita pela comissão técnica da SEP.

Enquanto isso, outro fator decisivo entrava em cena: a ligação do dirigente Waldemar Santos Júnior, o Dr. Júnior, com o Sport. “Criei amor pelo Sport quando morei no Recife. Isso pesou”, afirmou.
A disputa ganhou novos contornos com a intervenção do radialista José Silvério, que alertou dirigentes do Sport sobre o talento do jogador. “Leonardo arrebentou no jogo. Era franzino, mas acabou com a zaga do Santa Cruz”, relatou.

A partir daí, o clube rubro-negro acelerou as negociações. Dirigentes viajaram até Picos e trataram diretamente com a família do atleta. A cena foi marcante: “Eu estava varrendo a calçada quando chegaram dizendo que queriam levar meu filho para o Recife”, contou dona Maria da Paz, mãe do jogador.
Mesmo com a concorrência do Santa Cruz, a decisão foi tomada pela família. O próprio Leonardo explicou, à época, sua escolha: “Eu e meu pai preferimos o Sport”.
A contratação foi oficializada em 1992, após a participação do jogador na Copa do Brasil, consolidando uma transferência que, anos depois, seria considerada um dos movimentos mais emblemáticos do futebol nordestino.
No Sport, Leonardo construiu uma trajetória histórica: foram nove títulos, 136 gols e 367 partidas, além de passagens por clubes como Club de Regatas Vasco da Gama, Sport Club Corinthians Paulista e Sociedade Esportiva Palmeiras.
Entre os momentos marcantes, destacam-se atuações históricas, como a goleada por 6 a 0 sobre o Atlético-MG, quando marcou cinco gols em uma única partida, e a participação em títulos estaduais e competições nacionais.
Leonardo faleceu em 2016, aos 41 anos, após complicações de saúde. Mesmo após sua morte, segue como um dos maiores nomes do futebol nordestino e um dos principais talentos revelados em Picos.
A história do atacante reforça o papel da cidade como berço de grandes atletas e evidencia como o talento local pode alcançar projeção nacional, atravessando gerações e permanecendo vivo na memória do esporte brasileiro.
