O uso aparentemente inofensivo de emojis, siglas e códigos ganhou novos significados obscuros nas redes sociais, sendo empregado por adolescentes brasileiros para encobrir diálogos misóginos, neonazistas e atividades criminosas. A prática ficou conhecida globalmente por meio da série “Adolescence”, da Netflix, retratando jovens britânicos envolvidos em crimes e extremismo, mas é cada vez mais comum também em comunidades virtuais brasileiras.
Entre os símbolos usados pelos jovens estão os Moais, estátuas da Ilha de Páscoa, representando um suposto ideal masculino; a taça de vinho para expressar um homem de classe; e a pílula vermelha (red pill), ícone de grupos masculinistas. Segundo especialistas, esses símbolos permitem que usuários se identifiquem e comuniquem ideias extremistas e violentas discretamente.
Em comunidades de cleptomaníacos, principalmente jovens mulheres, emojis como mirtilo, rato e cestinha indicam pequenos furtos, enquanto grupos extremistas no Discord usam o copo de leite e os raios da SS para simbolizar supremacia branca. Autoridades alertam que pais e responsáveis devem manter diálogos abertos sobre o uso consciente e os riscos desses conteúdos na internet.