Poucos monumentos representam tão bem a identidade de Picos quanto a Catedral de Nossa Senhora dos Remédios. Presente no cotidiano da cidade e cenário das principais celebrações religiosas, o templo também abriga uma história que continua despertando curiosidade entre moradores e visitantes: a igreja foi construída de trás para frente.
A origem dessa trajetória começou ainda no século XIX. Durante a Guerra da Balaiada, o vaqueiro João das Dores prometeu trazer para a região uma imagem de Nossa Senhora dos Remédios caso seu filho e o filho de um fazendeiro local sobrevivessem ao conflito.
A promessa foi cumprida. A imagem veio de Salvador e percorreu o sertão até chegar à região que mais tarde se tornaria um dos principais centros urbanos do interior piauiense.
Com o crescimento de Picos, a antiga igreja matriz passou a não comportar mais o número de fiéis. Surgiu então a necessidade de construir um templo maior, mas sem interromper as atividades religiosas da comunidade.
A solução encontrada ficou marcada na história da cidade. Em vez de demolir a antiga matriz, a nova catedral começou a ser erguida pelos fundos. A construção avançou gradativamente ao redor da estrutura existente, permitindo que missas e celebrações continuassem ocorrendo normalmente.
O método transformou a obra em um dos exemplos mais curiosos da arquitetura religiosa do estado. Ao final do processo, a antiga igreja foi incorporada pela nova estrutura, dando origem ao templo que hoje domina a paisagem urbana de Picos.
Mais do que um patrimônio arquitetônico, a Catedral de Nossa Senhora dos Remédios representa a fé de gerações de picoenses e permanece como um dos principais símbolos da cidade.