A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de produtos da marca Ypê na quinta, 7, alegando “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade“.
Em seguida, a Ypê obteve efeito suspensivo, mas não retomou a produção.
Contudo, o fato de que integrantes da família dona da Ypê doaram para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 levou muitos bolsonaristas a defenderem a marca, alegando perseguição política.
Teve início então uma competição desmiolada nas redes, em que brasileiros de todos os tipos começaram a demonstrar o seu grau avançado de bolsonarismo tomando banho com o detergente, lavando o frango e até simulando beber o produto.
“Cada copo uma alegria”
Luciano Hang, o “Velho da Havan“, gravou um vídeo fazendo uma dancinha lavando louça, com dois detergentes da marca.
“Lava a louça todo dia, com Ypê brilhando na pia. Cada copo uma alegria. Ypê é minha companhia“, canta Hang na cena. “O que eu mais entendo é de perseguição. Não tem um cara mais perseguido que o Véio da Havan. E o Ypê também. Cuidado. As eleições estão chegando. Quem é do lado certo vai ser perseguido.”
O senador Cleitinho, do Republicanos, que lidera a corrida pelo estado de Minas Gerais, também postou o seu vídeo, defendendo a marca.
Almas limpas
A competição de pureza dos bolsonaristas não é racional. É emocional.
A regra geral é que quanto mais detergente Ypê alguém tomar, mais bolsonarista será.
Ainda que a Anvisa tenha suas falhas e diretores anteriores tenham comprovado viés ideológico, não faz sentido expor-se a um produto suspeito ou orientar esse tipo de atitude.
Para candidatos cuja adesão ao bolsonarismo esteja em dúvida, o vídeo com o detergente pode até fazer sentido eleitoral, convencendo o eleitor.
Para os demais brasileiros, é apenas uma forma de reforçar a identificação com um grupo político e, se possível, ganhar admiração dos integrantes da mesma seita.
O detergente, assim, deixa de ser um material de limpeza e assume o status de uma água-benta, capaz de purificar até as almas mais santas, as quais se tornarão objeto de veneração no altar das redes sociais.

